Ser data-driven significa que uma organização baseia suas decisões estratégicas e operacionais a partir de dados e análises, em vez de somente intuição, suposições ou crença que tudo dará certo. Ao fazer análises e gerar interpretações com o uso de dados, estamos buscando por evidências que nos indiquem padrões, tendências e as mais diversas ações que nos demonstrem o que precisa ser eliminado, ajustado ou intensificado. E nada melhor do que aproveitar este momento unindo a ciência da análise de dados com a experiência das pessoas à frente do negócio, sua sensibilidade e, assim, explorar nuances, contextos e momentos que nos servem em muito para a criação de insights, reconhecimento do que deu certo e errado, gerando recomendações e ações.
Me recordo muito de uma frase sempre dita por um antigo e nostálgico gestor, Jorge Faraco: "Massageie os dados até que eles confessem". Época em que usávamos as ferramentas de então (início dos anos 2000) para fazer análise de audiência de sites e de segurança, a partir de gigantescos arquivos de log de servidores de internet e firewalls.
As ferramentas mudam, os processos mudam, novos indicadores são criados, mas a curiosidade de não só entender, mas de compreender cada indicador — para que serve, o que mede, sua relação com outros indicadores — é tão necessária hoje com o crescimento exponencial dos dados que vimos nas duas últimas décadas.
Ser data-driven não se trata de ferramenta, pois informação parada não gera ação, mas de cultura (e as ferramentas são imprescindíveis para suportar e facilitar a transformação).
Conhecer os indicadores que movem sua área (e se relacionam com a área vizinha), são relevantes para seu negócio e importantes de maneira estratégica ou operacional, é o que permite que todo um novo jogo (cultura) de conversas, visão, trocas, reconhecimentos e oportunidades possa desabrochar e gerar transformação. E aqui abro o ponto de que não se trata apenas de fazer grandes análises de dados, mas de conhecer, entender e se comunicar sobre indicadores diversos (ex.: venda, lucro, margem, produtividade, devolução, retenção, last mile, tráfego, ROI, ROAS, leads, CPL, CPA, CTR, CPC, CAC e muitos outros) relacionados direta ou indiretamente à sua atividade e, muitas vezes, altamente relevantes para a empresa.
A jornada data-driven pode ser feita de diversas maneiras e formatos: treinamentos remotos ou presenciais, internos ou externos, conteúdos gravados, base de conhecimento, catálogo de dados, comunidade, fóruns, eventos e muitos outros.
Mas o principal é gente!
As pessoas precisam ser treinadas e buscar conhecimento em indicadores e ferramentas, fomentar o engajamento e a colaboração, entender as relações que determinados relatórios e indicadores têm em sua área de atuação e na gestão de sua performance. Claro, dentro do que é permitido e não fere regulações como LGPD e GDPR ou a estratégia da empresa. Isso colabora para a redução de falhas, aumento de produtividade, engajamento de times, motivação pessoal, pertencimento, competitividade, colaboração e retenção de pessoas.
Já imaginou tudo isso alinhado com um propósito?
E quem disse que ser data-driven é somente para o ambiente corporativo? Você reconhece e entende suas contas domésticas de consumo, avalia as despesas do seu cartão de crédito, faz a gestão de recursos ou assinaturas que paga e não consome, sabe quanto está investindo de seu tempo produtivo em puro entretenimento (mídias sociais, TV, streaming, etc.)?
Conhecer sobre dados é do dia a dia, é da jornada, vai te fazer acordar para o que é relevante. É um asset incrível e que te desenvolve a todo momento.